Redes Socias Vs Desorganização Conjugal

Redes Socias Vs Desorganização Conjugal

Quando não se partilha a palavra-passe de acesso às redes sociais com o companheiro (a), normalmente as desconfianças surgem, e o pensamento, “Se não me diz é porque tem algo a esconder!” emerge. Mas de facto, para existir confiança e harmonia num relacionamento é obrigatório partilhar tudo? A resposta é obviamente não, pois trata-se de uma invasão de privacidade e de independência da pessoa, não obstante o estado marital em que se encontre (namoro, união de facto, casado).

É certo que quando a estrutura conjugal se vai tornando cada vez mais frágil, devido aos vários inputs exteriores a que os elementos do casal estão sujeitos e em constante interacção – tais como as questões da escola dos filhos, as dificuldades em pagar as contas mensalmente, os despedimentos eminentes, o desemprego a crescer, as quezílias com as famílias de origem ou com os sogros, as doenças de familiares próximos ou dentro do próprio seio familiar – as redes sociais funcionam como um escape e um descomprimir de todo o stress acumulado.

As pessoas vivem cada vez mais a um ritmo frenético e talvez aliado a todos os factores da crise mundial que se vive, aparentam já não terem tempo para pensar na relação, alimentá-la e renová-la. O certo é que os inputs exteriores que podem interferir e desestabilizar as relações são cada vez mais, com as redes socias em expansão, com o acesso a todo o tipo de informação e vão “mexer” nas fantasias mais internas de cada um, já de si muito virados cada um para o seu umbigo.

Contudo, convém considerar que se um dos elementos do casal já se sente balançado no casamento, a culpa não é das redes sociais, pois estas foram apenas um impulso, tornaram apenas as tentações já há muito fantasiadas, mais disponíveis.

A Terapia de casal pode ajudar a desmistificar muitos dos problemas que os casais apresentam, e por outro lado, levá-los a pensar na relação com calma e chegarem a conclusões, sem serem precipitados, no sentido de perceberem se querem recuperar a relação ou de que realmente já não existem sentimentos e que pretendem terminar (da forma menos dolorosa possível) e seguir em frente.

A terapia de casal não perspectiva a “cura suprema” dos casais. Mas se conseguir trabalhar alguns aspectos que “minam” diariamente a relação já é positivo, tendo um efeito amplificador nas várias vertentes da relação.