Divórcio e as suas causas

Divórcio e as suas causas

“Os casamentos deixam de funcionar quando uma pessoa tem o sentimento de que não é amada, entendida, compreendida. Ou que deixa de amar e de sentir-se próxima, do ponto de vista do amor, da outra”. (Gameiro, 2004)

As separações dos casais hoje em dia ocorrem essencialmente devido a: conflitos do quotidiano, que começam por ser mínimos, mas se repetem dia após dia, tomando proporções gigantescas; devido a infidelidades descobertas nos telemóveis ou nas redes sociais; a seguir a uma única discussão mais violenta; devido a um sentimento de vazio e insatisfação vivida e instalada desde há algum tempo (podendo ir até anos de insatisfação crescente); devido a stress acumulado, ansiedade, brigas constantes, depressão, acusações mútuas, desvalorização do parceiro, problemas económicos, desemprego, conflitos com a família de origem, etc.

O casamento, sendo um local privilegiado da vivência amorosa, do bem-estar e da satisfação mútua a vários níveis, com o acumular de diversas situações críticas, deixa de fazer sentido para um ou ambos os elementos do casal, instala-se o pensamento de que o amor desapareceu e de que não faz mais sentido continuar juntos.

Já não se vive uma vida inteira em sofrimento conjugal sob o pretexto do superior interesse dos filhos ou por causa da moral e dos bons costumes da sociedade. Mas nem tudo é tao simples ou linear. Até se chegar à fase de colocarem a si próprios a hipótese da separação, os casais hesitam bastante, sobretudo devido à existência de filhos, podendo perdurar por anos o sofrimento de ambos, desde a hipótese da separação à decisão concreta do divórcio.

No interregno destes anos, muitas ideias passam pela cabeça do casal. Começam a estar afastados emocionalmente, distanciando-se em termos de atividades e começando a fazer programas em separado. É frequente nesta fase um ou ambos os elementos do casal sentirem-se amargurados, com níveis de stress elevados, troca de acusações, desvalorização do parceiro, ansiedade, depressão e sempre na ambivalência, se o que sentem se deve ao fim do amor, ou a um conjunto de situações acumuladas do quotidiano em que impera a falta de comunicação do casal e o não falar abertamente dos sentimentos e dos problemas que os inquietam.

Daí a importância de se recorrer à Terapia de casal que pode ajudar a desmistificar muitos dos problemas que os casais apresentam, e por outro lado, levá-los a pensar a relação com calma e chegarem a conclusões, sem se precipitarem para o divórcio, vindo mais tarde a arrependerem-se pois o sentimento ainda existe, apenas mascarado com muitas angústias de parte a parte. A terapia de casal não perspectiva a “cura suprema” dos casais. Mas se conseguir trabalhar alguns aspectos que “minam” diariamente a relação já é positivo, tendo um efeito amplificador nas várias vertentes da relação.